ARQUIVO: Depois do luto, Blumenau monta força-tarefa contra massacres em escolas e creches

Após a tragédia que chocou o país, Blumenau mobilizou a maior operação de segurança da história da rede municipal de ensino, com vigilância armada, reforço estrutural e novas medidas de proteção nas escolas e creches.

Foto: Redes Sociais

Bernardo Cunha Machado, de 5 anos, Bernardo Pabst da Cunha, de 4, Larissa Maia Toldo, de 7, e Enzo Marchesin Barbosa, de 4 anos. Os nomes das quatro crianças mortas no ataque ao CEI Cantinho Bom Pastor, em Blumenau, permanecem como símbolo de uma das maiores tragédias da história do município.

O crime, registrado em 5 de abril de 2023, provocou comoção nacional e internacional e desencadeou uma profunda reformulação nas políticas de segurança escolar da cidade.

Acostumada a enfrentar enchentes e desastres naturais, Blumenau passou a conviver também com o desafio de proteger estudantes, professores e profissionais da educação contra episódios extremos de violência.

Força-tarefa após a tragédia

Após um período de férias emergenciais na rede municipal de ensino, a Prefeitura estruturou uma força-tarefa para reforçar a segurança nas escolas e centros de educação infantil.

Entre as principais medidas anunciadas estava a presença de um profissional de vigilância em cada uma das 128 unidades municipais de ensino.

Na primeira etapa, foram mobilizados 50 vigilantes armados e 100 vigilantes desarmados. Dias depois, a administração municipal informou que todos os postos de vigilância passariam a contar com profissionais armados, totalizando 150 postos de segurança.

Além disso, equipes técnicas realizaram inspeções em todas as unidades para identificar vulnerabilidades estruturais. Obras de reforço, manutenção, ampliação de muros, cercas e outros sistemas de proteção passaram a integrar o plano de segurança.

Segundo a administração municipal, parte desses investimentos já vinha sendo executada antes do atentado, mas as ações foram ampliadas após a tragédia.

Um alerta feito quase dois anos antes

Muito antes do ataque, um alerta público já havia sido registrado.

Em 15 de maio de 2021, após o atentado ocorrido no município de Saudades (SC), o colunista Airton Floriani, do Jornal A Voz da Razão, chamou atenção para a vulnerabilidade das creches e escolas de Blumenau.

Na ocasião, escreveu:

"Entrego esse jornal para várias creches particulares e da prefeitura de Blumenau. Vejo que não há um vigia ou um guarda que cuide dessas entidades. Só observo a existência de mulheres e crianças nesses locais. Chamo a atenção para o perigo. Não queremos um ataque como ocorreu em Saudades (SC). A mesma situação se estende para as escolas."

O texto ganhou novo significado após a tragédia e voltou a circular nas redes sociais como um exemplo de um risco que já havia sido apontado publicamente.

Mudança permanente

Passados mais de três anos do ataque, a discussão sobre a segurança nas escolas continua presente em Blumenau. O episódio alterou protocolos, acelerou investimentos e trouxe para o centro do debate a necessidade de conciliar proteção, acolhimento e prevenção da violência.

A memória de Bernardo, Bernardo, Larissa e Enzo permanece como um marco doloroso da história da cidade e um lembrete da importância de políticas permanentes de segurança no ambiente escolar.

José Carlos Goes

Sou locutor. Atuei em várias emissoras de rádio em Blumenau por quatro décadas. Atualmente trabalho na Massa FM de Blumenau e mantenho esse blog. Sou jornalista. Trabalhei em vários jornais impressos. Sou blogueiro.

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