Morto na Argentina: condenado pelo 8 de Janeiro vivia longe da família e fora do país

Foto/Divulgação

José Éder Lisboa, condenado pelos atos de vandalismo em Brasília, estava internado e vivia longe da família no exterior

José Éder Lisboa, de 64 anos, condenado por participação nos atos de vandalismo de 8 de janeiro de 2023, morreu na Argentina enquanto permanecia foragido da Justiça brasileira. A informação foi divulgada pela Associação dos Familiares e Vítimas do 8 de Janeiro (Asfav), que afirmou que ele estava internado havia alguns dias antes de morrer.

Segundo a entidade, Lisboa deixou o Brasil após a condenação e passou a viver de forma discreta no país vizinho, mantendo distância da própria família. Ainda de acordo com a associação, ele trabalhava como adestrador de animais e enfrentava um período de fragilidade de saúde antes da morte.

A morte de Lisboa reacende a atenção sobre a situação de brasileiros condenados ou investigados pelos ataques às sedes dos Três Poderes, em Brasília, que deixaram o país após as decisões da Justiça.


CASO EXPÕE NOVO CAPÍTULO DOS FORAGIDOS DO 8 DE JANEIRO

A morte do condenado acontece em meio a uma nova ofensiva jurídica e política envolvendo brasileiros que fugiram para a Argentina após serem alvo de condenações ou pedidos de prisão relacionados aos ataques de 8 de janeiro.

Neste mês, a Comissão Nacional para Refugiados da Argentina (Conare) concedeu refúgio a Joel Borges Correa, de 47 anos, condenado no Brasil a 13 anos e seis meses de prisão pelos mesmos atos. A decisão marcou a primeira vez em que a Argentina reconheceu oficialmente como refugiado um brasileiro condenado pelos ataques em Brasília.

Correa havia sido preso em novembro de 2024, durante uma blitz na província de San Luis, quando seguia em direção à região da Cordilheira dos Andes. Após a detenção, o Brasil pediu a extradição do condenado, mas o processo foi travado após a análise do pedido de refúgio.


ARGENTINA VIRA PEÇA-CHAVE EM CASOS DE EXTRADIÇÃO

A decisão da Conare aumentou a tensão em torno do destino de outros brasileiros que também deixaram o país após condenações ligadas ao 8 de janeiro. O órgão argentino reúne representantes dos ministérios das Relações Exteriores, Justiça e Interior, além de contar com participação consultiva do Acnur e de organizações não governamentais.

Apesar de o governo argentino sustentar que as decisões são técnicas e independentes, pessoas que acompanham os processos afirmam que há influência política no desfecho desses casos.

Atualmente, outros quatro brasileiros ligados aos ataques seguem em prisão domiciliar na Argentina, à espera de uma definição sobre extradição e pedidos de refúgio. O caso de José Éder Lisboa agora se soma a esse cenário e amplia a repercussão internacional sobre os desdobramentos do 8 de janeiro.

José Carlos Goes

Sou locutor. Atuei em várias emissoras de rádio em Blumenau por quatro décadas. Atualmente trabalho na Massa FM de Blumenau e mantenho esse blog. Sou jornalista. Trabalhei em vários jornais impressos. Sou blogueiro.

Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem