Operações do GAECO em Blumenau expõem suposto esquema milionário de corrupção, propina e lavagem de dinheiro
A última semana marcou uma das maiores ofensivas do GAECO contra supostos esquemas de corrupção ligados à Prefeitura de Blumenau. As operações Ponto Final, Sentinela e Arbóreo colocaram no centro das investigações contratos públicos de obras, vigilância, limpeza urbana e merenda escolar, envolvendo empresários e agentes públicos municipais.
O que as três operações investigam
Operação “Ponto Final”
A maior das três operações apura um esquema de:
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fraude em licitações;
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cartel de empresas;
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superfaturamento de obras públicas;
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pagamento de propina;
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lavagem de dinheiro.
Segundo o Ministério Público, o esquema teria movimentado quase R$ 600 milhões em contratos públicos em diversas cidades da região. As investigações apontam que cerca de R$ 117 milhões podem ter sido desviados em:
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propinas;
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aditivos irregulares;
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superfaturamentos.
As suspeitas envolvem contratos firmados entre 2020 e 2024.
Operação “Sentinela”
A operação investiga contratos ligados a:
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vigilância patrimonial;
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limpeza urbana;
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serviços especializados.
O foco principal é um contrato emergencial de segurança em escolas após o ataque à creche Cantinho Bom Pastor, em 2023.
Segundo o GAECO, houve:
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direcionamento de licitação;
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vazamento de informações sigilosas;
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combinação prévia de preços;
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devolução ilícita de dinheiro público.
O contrato investigado de vigilância escolar ultrapassa R$ 9 milhões.
Até o momento, o Ministério Público ainda não divulgou oficialmente o valor total da propina ou da lavagem de dinheiro relacionados especificamente à operação Sentinela.
Operação “Arbóreo”
A investigação envolve contratos da merenda escolar da rede municipal de Blumenau.
O GAECO afirma que existia um esquema estável entre:
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agentes públicos do primeiro e segundo escalão;
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empresários do setor alimentício.
Segundo as investigações:
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era cobrado um percentual fixo de 3% sobre pagamentos públicos;
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a propina era recolhida em dinheiro vivo;
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havia monitoramento em tempo real dos pagamentos da prefeitura.
A estimativa do Ministério Público é que o esquema tenha movimentado cerca de R$ 3,6 milhões em propinas entre 2022 e 2024.
Quanto as três operações movimentaram juntas?
Com base nos dados divulgados até agora:
| Operação | Valores investigados |
|---|
| Ponto Final | ~R$ 600 milhões em contratos |
| Sentinela | contrato investigado superior a R$ 9 milhões |
| Arbóreo | ~R$ 3,6 milhões em propina |
Total aproximado movimentado:
➡️ Mais de R$ 612 milhões sob investigação.
Quantos agentes públicos ligados à Prefeitura de Blumenau são investigados?
O Ministério Público ainda não divulgou oficialmente o número total de servidores investigados.
Porém, as operações citam:
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agentes públicos do primeiro e segundo escalão;
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servidores ligados a setores estratégicos;
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possíveis operadores políticos;
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empresários e intermediários financeiros.
As investigações seguem sob sigilo parcial e novas fases não estão descartadas.
Houve apreensão de dinheiro?
Até agora:
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o GAECO confirmou apreensão de documentos, celulares, computadores e mídias eletrônicas;
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não divulgou oficialmente o valor total apreendido em dinheiro vivo nas operações Ponto Final, Sentinela e Arbóreo.
Em uma operação anterior ligada a investigações em Blumenau, chamada “Carga Oca”, foram apreendidos:
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US$ 50 mil
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R$ 80 mil em espécie.
Como estão as investigações agora?
As três operações seguem em andamento sob coordenação da:
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14ª Promotoria de Justiça de Blumenau;
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Vara Estadual de Organizações Criminosas.
O GAECO analisa:
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celulares;
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trocas de mensagens;
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movimentações financeiras;
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contratos;
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notas fiscais;
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registros bancários.
Os investigadores tentam mapear:
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a cadeia completa de pagamento de propinas;
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operadores financeiros;
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lavagem de dinheiro;
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possível participação de novos agentes públicos e empresários.
O Ministério Público não descarta:
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novas buscas;
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novas fases;
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pedidos de afastamento;
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bloqueio de bens;
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denúncias criminais futuras.