Barragem de José Boiteux opera com baixa retenção e segue sob monitoramento da Defesa Civil

Estrutura está longe da capacidade máxima neste momento, não exige operação especial e permanece sendo acompanhada em tempo real enquanto passa por obras de modernização

Foto Arquivo/Barragem de José Boiteux (Foto: Alan Garcia / Garcia Comunicação)Divulgação

A Barragem Norte de José Boiteux, principal estrutura de contenção de cheias do Vale do Itajaí, segue sendo monitorada 24 horas pela Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina. Enquanto as obras de recuperação avançam, o órgão acompanha continuamente as condições da estrutura e o comportamento hidrológico da região para garantir segurança operacional durante os períodos de chuva.

Neste momento, não há indicação de que o reservatório esteja operando próximo da capacidade máxima, nem registro de necessidade de acionamento de medidas emergenciais. A Defesa Civil informa que o monitoramento permanece preventivo, acompanhando os níveis da barragem e as previsões meteorológicas para definir eventuais operações de retenção de água.

Maior barragem do Estado

Com capacidade para armazenar cerca de 357 milhões de metros cúbicos de água, a Barragem Norte é considerada a mais importante estrutura de controle de cheias de Santa Catarina. Sozinha, sua capacidade supera a soma dos reservatórios das barragens de Taió e Ituporanga, desempenhando papel estratégico na redução dos impactos das enchentes em dezenas de municípios do Médio e Baixo Vale do Itajaí.

Mesmo durante a reforma, a estrutura continua sendo acompanhada por equipes técnicas, que realizam avaliações constantes das condições operacionais e da evolução das obras.

Obras entram em fase decisiva

As intervenções começaram oficialmente após a assinatura da ordem de serviço em maio deste ano, com investimento de aproximadamente R$ 9,9 milhões do Governo de Santa Catarina.

Nesta etapa, os trabalhos concentram-se na galeria de descarga, onde foi construído um aterro provisório para retirada de galhos e sedimentos acumulados. O objetivo é reduzir o nível da água nas chamadas "tulipas", permitindo o acesso à comporta que permanece travada há anos e que será totalmente recuperada.

Além da recuperação das comportas, a obra prevê:

  • modernização do sistema hidráulico;
  • recuperação da casa de comando;
  • instalação de uma nova ponte rolante;
  • implantação de cercamento, guarda-corpos e melhorias estruturais;
  • modernização completa dos sistemas operacionais.

Segundo o secretário estadual da Proteção e Defesa Civil, Fabiano de Souza, a recuperação busca garantir maior segurança operacional diante dos eventos climáticos extremos.

"A Barragem Norte é uma estrutura estratégica para o controle de cheias no Vale do Itajaí. Estamos executando uma recuperação completa dos sistemas essenciais para garantir mais segurança operacional e melhores condições de resposta", afirmou o secretário.

Protocolo para as comunidades indígenas

A barragem está localizada na Terra Indígena Laklãnõ-Xokleng, razão pela qual sua operação segue protocolos específicos definidos em acordos entre o Governo do Estado, lideranças indígenas e órgãos de controle.

Sempre que o reservatório atinge a cota de 15 metros a montante, é acionado o Plano de Contingência, que prevê assistência às aldeias diretamente afetadas pelo represamento da água.

Entre as medidas previstas estão:

  • distribuição de cestas básicas;
  • acompanhamento das famílias atingidas;
  • ações de apoio humanitário;
  • comunicação permanente com as lideranças indígenas.

De acordo com a Defesa Civil, o protocolo busca minimizar os impactos causados pela operação da barragem nas comunidades tradicionais.

Compensações históricas continuam

Paralelamente às obras da barragem, o Governo do Estado afirma manter o cronograma das compensações históricas destinadas às comunidades indígenas.

Atualmente estão em execução:

  • 46 moradias;
  • duas igrejas;
  • duas casas paroquiais.

Uma segunda etapa prevê outras 45 residências, além de unidades em Doutor Pedrinho, totalizando 91 moradias destinadas às comunidades impactadas pela implantação da barragem.

Monitoramento permanece permanente

A Defesa Civil reforça que a operação da Barragem Norte é realizada com base em critérios técnicos e no monitoramento contínuo das condições meteorológicas e hidrológicas.

Embora a estrutura ainda passe por modernização, o cronograma das obras foi planejado para que as etapas mais sensíveis sejam executadas antes do período historicamente mais chuvoso do ano, reduzindo riscos durante a primavera e o verão. A expectativa oficial é de que a recuperação fortaleça a capacidade de resposta do sistema de contenção de cheias e aumente a segurança para toda a população do Vale do Itajaí.

José Carlos Goes

Sou locutor. Atuei em várias emissoras de rádio em Blumenau por quatro décadas. Atualmente trabalho na Massa FM de Blumenau e mantenho esse blog. Sou jornalista. Trabalhei em vários jornais impressos. Sou blogueiro.

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