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Estoques de sangue entram em baixa em julho e hemocentros fazem apelo por doações

Campanha nacional busca reforçar as reservas durante as férias escolares; vítimas de acidentes, pacientes com câncer e pessoas à espera de cirurgias dependem das doações para sobreviver

Foto/ Myke Sena/MS/Divulgação

As férias escolares de julho costumam provocar uma redução no número de doações de sangue em todo o Brasil. Para evitar o desabastecimento, hemocentros de diversos estados intensificam uma campanha nacional pela vida, mobilizando a população para manter os estoques em níveis seguros.

A necessidade é permanente. Vítimas de acidentes de trânsito, pacientes em tratamento contra o câncer, pessoas submetidas a cirurgias eletivas, além de quem enfrenta doenças hematológicas e outras enfermidades graves, dependem diariamente das transfusões para sobreviver.

Embora a campanha Junho Vermelho tenha contribuído para manter os estoques em situação regular em Brasília, alguns tipos sanguíneos, como O negativo e B negativo, seguem em nível baixo. A realidade se repete em diferentes regiões do país, reforçando a importância de doações contínuas.

Segundo a assistente social da Fundação Hemocentro de Brasília, Lara Lisboa, o abastecimento precisa ser constante porque os componentes do sangue possuem prazo de validade.

"Todos os tipos sanguíneos são necessários, são bem-vindos, até porque diariamente são realizadas transfusões de sangue. Sangue tem validade. Então, o nosso maior desafio é manter os estoques sempre abastecidos de todos os tipos sanguíneos."

De acordo com o Ministério da Saúde, as plaquetas podem ser utilizadas por até cinco dias após a coleta, o concentrado de hemácias por até 42 dias e o plasma por até 12 meses. Esse prazo limitado torna indispensável a renovação permanente dos estoques.

Quem pode doar sangue

Para ser um doador de sangue, é necessário atender aos seguintes critérios:

  • Ter entre 16 e 69 anos;
  • Pesar no mínimo 51 quilos;
  • Estar em bom estado de saúde;
  • Estar bem alimentado, evitando alimentos gordurosos antes da doação;
  • Apresentar documento oficial com foto.

Segundo Lara Lisboa, qualquer tipo sanguíneo é importante para garantir o atendimento dos hospitais.

Um gesto simples que pode salvar várias vidas

Doadora regular há duas décadas, a advogada Marina Cunha, de 46 anos, afirma que doar sangue é um compromisso com a vida.

"Sou doadora de sangue, doo pelo menos duas vezes ao ano. Já salvei algumas vidas e várias pessoas da minha família também já tiveram a vida salva por receber transfusão de sangue. Esse é um ato de extrema importância. Quem puder, faça a doação. Você estará salvando vidas."

Antes de ser utilizado, todo o sangue coletado passa por rigorosos exames sorológicos, que identificam infecções como HIV, hepatites B e C, sífilis e doença de Chagas, garantindo segurança para quem recebe a transfusão.

A doação completa leva, em média, 90 minutos, incluindo cadastro, triagem, coleta e lanche. Em Brasília, grupos com pelo menos dez voluntários ainda podem organizar campanhas de doação com transporte gratuito oferecido pelo hemocentro.

A mobilização deste mês reforça uma mensagem simples, mas urgente: uma única doação pode salvar até quatro vidas. Em um período de aumento das viagens, dos acidentes e da redução nas doações, manter os estoques de sangue abastecidos é uma responsabilidade coletiva que pode fazer a diferença entre a vida e a morte.

José Carlos Goes

Sou locutor. Atuei em várias emissoras de rádio em Blumenau por quatro décadas. Atualmente trabalho na Massa FM de Blumenau e mantenho esse blog. Sou jornalista. Trabalhei em vários jornais impressos. Sou blogueiro.

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