Relatório apresentado na Câmara mostra aumento da produção na rede municipal, queda da mortalidade infantil e desafios nas filas, orçamento, hospitais e atendimento aos usuários
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| Foto/Rogério Pires/Divulgação |
A Secretaria Municipal de Saúde de Blumenau apresentou, nesta terça-feira (11), na Câmara Municipal, o Relatório Detalhado do Quadrimestre Anterior (RDQA), com os resultados da saúde pública entre janeiro e abril de 2026. Os dados mostram aumento na produção dos serviços, mas também revelam filas de atendimento, desafios financeiros e questionamentos sobre produtividade e repasses aos hospitais.
Segundo a Secretaria, Blumenau tinha uma estimativa de 385 mil habitantes em 2025, com projeção de aproximadamente 390 mil moradores. No primeiro quadrimestre deste ano, foram registrados 1.602 nascimentos, o maior número para o período desde 2020.
Outro indicador apresentado foi a mortalidade infantil, que ficou em 6,86, considerada a menor taxa registrada desde o período da pandemia.
Mais de 1,4 milhão de atendimentos na atenção primária
Na atenção primária, a rede municipal contabilizou aproximadamente 1,42 milhão de atendimentos nos primeiros quatro meses do ano.
Entre os serviços realizados estão:
- mais de 250 mil consultas médicas;
- 66 mil consultas de enfermagem;
- 322 mil acolhimentos;
- 228 mil visitas domiciliares;
- 347 mil medicamentos distribuídos;
- 313 mil procedimentos;
- mais de 83 mil vacinas aplicadas.
O Alô Saúde realizou 3.937 teletriagens e mais de 28 mil teleconsultas no período.
Já a atenção especializada ambulatorial chegou a 1,845 milhão de atendimentos, o maior volume para um primeiro quadrimestre desde 2022.
Apesar da produção elevada, as filas continuam entre os principais desafios. A maior delas é para ultrassonografias, com 17.788 solicitações, seguida pela fila de psicologia, com 7.637 pedidos.
Cirurgias e atendimentos hospitalares
Na atenção hospitalar, foram registrados 11.777 atendimentos, além de 11.752 internações e 2.279 cirurgias eletivas.
A Secretaria informou ainda que 53% dos partos realizados em Blumenau foram cesáreas, considerando procedimentos realizados pelo SUS e pela rede particular.
Na área de cirurgias ortopédicas, houve redução da fila. O número de solicitações caiu de 2.196 para 2.023.
Saúde recebeu R$ 277 milhões em despesas liquidadas
Na área financeira, a Secretaria informou que o município arrecadou R$ 535 milhões, de uma previsão de R$ 1,5 bilhão para 2026.
Até o período analisado, R$ 277 milhões haviam sido liquidados pelo Fundo Municipal de Saúde. Desse montante, R$ 132 milhões foram destinados à atenção primária e R$ 126 milhões à média e alta complexidade.
Durante a apresentação, vereadores também questionaram uma dívida de R$ 89 milhões referente à folha de pagamento de 2025.
Segundo a Secretaria, o valor havia sido liquidado, mas não possuía dotação orçamentária. A equipe informou que a dívida foi empenhada em 2026.
A Secretaria também explicou a diferença entre os percentuais de aplicação em saúde. Embora o município tenha aplicado efetivamente 28,62% em 2025, o percentual considerado para fins legais pelo Tribunal de Contas foi de 22,03%.
Vereador cobra critérios para repasses aos hospitais
O presidente da Comissão de Saúde Pública, vereador Professor Gilson de Souza (União Brasil), questionou os repasses destinados aos hospitais e defendeu que os valores estejam relacionados à produtividade de cada instituição.
O secretário Marcelo Lanzarin informou que o Hospital Santo Antônio recebeu aumento de subvenção neste ano. Segundo ele, a intenção é elaborar, no segundo semestre, um plano para novos incrementos aos demais hospitais, considerando os serviços prestados.
Gilson também questionou a participação do Hospital Universitário do IMAS nos números apresentados.
Lanzarin explicou que a unidade começou a realizar procedimentos cirúrgicos há cerca de 30 dias, depois da conclusão do processo de habilitação. Por isso, os resultados ainda não aparecem de forma significativa no relatório e deverão ser contabilizados no próximo quadrimestre.
Secretaria muda protocolo para emissão de atestados
Outro tema discutido na Câmara foi a emissão de atestados pelo Alô Saúde.
De acordo com Marcelo Lanzarin, a Secretaria criou um protocolo que determina o encaminhamento do usuário para atendimento presencial após duas consultas realizadas pela mesma pessoa em um intervalo de 60 dias.
O secretário afirmou ainda que a pasta deverá fazer um novo ajuste no protocolo diante de uma nova distorção identificada no sistema.
Reclamações contra profissionais entram no radar
A vereadora Silmara Miguel (PSD), relatora da Comissão de Saúde, questionou a Secretaria sobre reclamações recorrentes envolvendo um profissional da rede municipal.
Lanzarin informou que 26 unidades de saúde já foram auditadas. Conforme os problemas identificados, as medidas podem incluir capacitação, acompanhamento, realocação do profissional ou abertura de processo administrativo disciplinar.
O secretário orientou os usuários a formalizarem reclamações na Ouvidoria e nos Conselhos Locais de Saúde.
Segundo ele, o registro oficial das ocorrências é importante para que os casos possam ser analisados e, quando necessário, utilizados como base para eventuais processos administrativos.
A Secretaria também está estruturando comissões de ética médica e de enfermagem.
Secretaria quer medir produtividade das unidades
No encerramento da apresentação, Marcelo Lanzarin afirmou que a Secretaria está retomando o trabalho de parametrização da produtividade das unidades de saúde, iniciado em 2023.
O processo levou à adoção de uma agenda única em 2024 e agora deverá avançar para uma comparação entre unidades com características semelhantes.
A proposta, segundo o secretário, não será avaliar apenas a quantidade de atendimentos, mas também a qualidade do serviço prestado.
O relatório apresentado na Câmara evidencia, assim, uma rede municipal com alta produção de atendimentos, mas que ainda enfrenta desafios relacionados às filas de espera, gestão financeira, produtividade, atendimento ao usuário e financiamento dos hospitais.
OUÇA O QUE DIZ O VEREADOR PROFESSOR GILSON PRESIDENTE DA COMISSÃO, SOBRE A DISCUSSÃO NA CAMARA:
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