Procuradoria da Mulher da Câmara de Blumenau promove ciclo de palestras para celebrar 17 anos da Lei Maria da Penha

 Foto: Denner Ovidio | Imprensa CMB

Para lembrar o aniversário de 17 anos da Lei Maria da Penha, a Câmara de Vereadores de Blumenau, por meio da Procuradoria Especial da Mulher, promoveu, na manhã desta terça-feira (22), o ciclo de palestras intitulado “Perspectivas e Desafios da Mulher na Sociedade”. O evento ocorreu no Plenário da Câmara de Vereadores e reuniu representantes do comitê de enfrentamento à violência, da rede de proteção à mulher, da sociedade civil, das entidades, como a  OAB, as secretarias municipais de Saúde e de Desenvolvimento Social e demais órgãos que trabalham na prevenção da violência ou no atendimento às vítimas no município e comunidade em geral. 

Na abertura do evento estiveram presentes a Procuradora da Mulher da Câmara Municipal de Blumenau, vereadora Cristiane Loureiro; o vice-presidente da Câmara, vereador Maurício Goll; a vice-prefeita de Blumenau, Maria Regina de Souza Soar; a presidente da Rede Feminina de Blumenau, Sueli Roberti Cristofolini; o secretário municipal da Família, Julio César Pereira; a vereadora e procuradora da Mulher da Câmara de Vereadores de Rio Negrinho, Roseli Zipperer do Amaral e a procuradora da Câmara de Timbó, Gilmara Maria Baddaratz Giotti, entre outras autoridades. Os participantes receberão certificado.

A vice-prefeita Maria Regina parabenizou a vereadora Cristiane Loureiro por essa iniciativa desse ciclo de palestras na Câmara. “Essa ação fortalece a nossa Rede de Prevenção à violência na cidade. Nós temos trabalhado muito para efetivar uma rede que realmente trabalha na prevenção, mas também no atendimento das pessoas vítimas de violência. Todas as palestrantes demonstraram o interesse na causa e também o conhecimento para que possamos fortalecer cada vez mais essa rede de atendimento às pessoas vítimas de violência”, enalteceu a vice-prefeita.

A vereadora e procuradora da Mulher da Câmara de Vereadores de Rio Negrinho, Roseli Zipperer do Amaral, avaliou que o evento foi maravilhoso. “Nós tivemos muitas informações e muita troca de experiências. Nós, estando em uma cidade pequena, vivenciamos a mesma realidade que Blumenau, porém em uma dimensão menor, mas os assuntos tratados foram com o mesmo objetivo, a nossa função é a mesma e o nosso trabalho de união também é o mesmo”, salientou, agradecendo o convite da Câmara de Vereadores de Blumenau.

A programação do evento contou com a palestra presencial da Procuradora da Mulher da Câmara Municipal de Blumenau, vereadora Cristiane Loureiro, que abordou sobre o protagonismo da Procuradoria da Mulher. “Falei sobre o protagonismo da Procuradoria e o trabalho da Procuradoria da Mulher de Blumenau, trazendo números de violência tanto do Estado como de Blumenau, as nossas ações e atendimentos, como são feitos os atendimentos e demais informações deste trabalho desenvolvido”, apontou, acrescentando que o público pôde fazer perguntas e tirar dúvidas de forma anônima por meio de um canal por meio do Whatsapp. 

A vereadora também avaliou positivamente o evento. “Nós ficamos muito contentes com o resultado, com a participação do público dentro de um tema que diz respeito a toda a sociedade, sentimos a falta de mais participação masculina. Falamos sobre os desafios enfrentados, sobre o enfrentamento à violência, inclusive dentro da escola e também das políticas públicas e o papel da mulher na sociedade e os preconceitos sofridos pelas mulheres”, ressaltou. 

Também houve a palestra online com a coordenadora de Projetos do Instituto Maria da Penha, Rose Marques, com o tema "Enfrentamento a violência doméstica e familiar contra a mulher e Políticas Públicas de denúncia". Ela falou sobre os 17 anos da Lei Maria da Penha  e sobre a legislação. Também falou da origem da Lei Maria da Penha e do caso que deu nome à legislação. “Esse caso é emblemático e representativo e foi levado para o sistema interamericano, da forma como o Estado brasileiro e as instituições falharam em relação às mulheres, não cumprindo seu papel de proteção às mulheres, que, muitas delas, acabaram perdendo suas vidas. Foi um caso que se arrastou por muito tempo no Poder Judiciário e demorou de forma tamanha”, salientou.

Também citou que entre as atividades que o instituto realiza está uma pesquisa feita desde 2016 sobre as condições socioeconômicas das mulheres em situação de violência, demonstrando a situação preocupante em relação aos filhos e filhas que ficam órfãos sem um vínculo afetivo. Também mencionou os vários tipos de violências sofridos pelas mulheres, de forma física, psicológica, dentre outras, que acabam deixando sequelas e que custam alto para o sistema de saúde. 

Por fim, também houve a palestra presencial com o tema "A importância da parceria: escola, sociedade e família para erradicação da violência de gênero desde a infância", ministrada pela palestrante e advogada especialista em Gestão Pública, Leila Adriana Caliari. Na sua palestra, a advogada  Leila Caliari, apontou, que dentro desta questão da proteção da mulher, é importante olhar para o homem abusador que precisa ser tratado. “O homem abusador está doente ou ele se torna um abusador em função da educação que ele teve. Ele precisa ser tratado e trabalhado para que possa mudar os conceitos que ele trouxe durante toda a vida”, apontou. 

Ela também salientou a importância de levar a educação para as escolas e para os grupos de apoio para educar os meninos e também as meninas  para a violência de gênero. “Se a criança nasce em um ambiente violento ou sofre violência vai levar para a vida como um trauma ou como um padrão de comportamento, por isso, a importância de trabalhar isso na infância, criando mecanismos dentro da educação nas escolas para que se eduque as crianças, para que entendam e quebram esses padrões comportamentais”, salientou. Por fim, ainda citou que o mecanismo a ser utilizado seria transversalidade das políticas públicas na educação, no social e na saúde, trabalhando em conjunto para que a escola tenha psicólogos e assistentes sociais para dar suporte, além das campanhas educacionais contra a violência de gênero. 


 

José Carlos Goes

Sou locutor tendo atuado em várias emissoras de rádio em Blumenau por quatro décadas. Sou jornalista e trabalhei em vários jornais impressos. Sou blogueiro.

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