Artigo: A herança que Blumenau não merecia

Foto/Divulgação

*Por Develon da Rocha, conselheiro municipal de Turismo

Nos últimos meses, uma enxurrada de denúncias envolvendo a administração passada de Blumenau tem exposto, de forma cada vez mais clara, a precariedade da gestão de Mário Hildebrandt (PL), hoje secretário de Estado da Proteção e Defesa Civil. As suspeitas são numerosas e graves. A Operação Carga Oca, do GAECO, investiga possível fraude milionária no fornecimento de material de pavimentação à SEURB, com caminhões pagos para transportar cargas que nunca chegaram ao destino. Soma-se a isso a denúncia da compra de livros a R$ 1 mil por exemplar e as acusações de irregularidades nas licitações de publicidade. Como se não bastasse, o ex-prefeito agora é convocado a depor, na CPI do Esgoto, que apura inconsistências na política tarifária e na assinatura de termos aditivos.

Diante desse cenário, torna-se impossível ignorar a fragilidade de uma liderança que se mostrou incapaz de conduzir Blumenau com responsabilidade, visão e, sobretudo, transparência. O governo Hildebrandt não trouxe investimentos relevantes, não construiu alternativas econômicas e permitiu que a cidade perdesse protagonismo regional enquanto municípios vizinhos avançavam - e avançam - com planejamento e união. 

No turismo, setor vital para Blumenau, o decorrente desalento é brutal. O tão prometido centro de eventos ficou no limbo. O teleférico e o roteiro do centro histórico viraram lendas urbanas. A cidade, em vez de valorizar artistas de rua, há anos entregou seus muros à pichação. A Rua XV de Novembro, símbolo e cartão-postal, lentamente foi ficando descaracterizada e hoje está longe do brilho que já teve. 

O impacto disso tudo é evidente. Blumenau se esvazia. Empresários locais, cansados da falta de apoio, quando possível encontram mais ambiente para crescer em Foz do Iguaçu, São Paulo, Rio de Janeiro ou nas vizinhas Pomerode e Balneário Camboriú. Temos que elogiar o empenho republicano do Ministério Público do Estado de Santa Catarina (MP-SC) e do Tribunal de Contas do Estado (TCE), além fiscalizar com afinco a atual administração. A gestão passada deixou uma herança amarga. E explica muito a cidade desanimada e isolada que vemos hoje, fruto de um voto que custou caro demais. É inócuo ler um versículo da Bíblia pela manhã e praticar exatamente o contrário à tarde

José Carlos Goes

Sou locutor. Atuei em várias emissoras de rádio em Blumenau por quatro décadas. Atualmente trabalho na Massa FM de Blumenau e mantenho esse blog. Sou jornalista. Trabalhei em vários jornais impressos. Sou blogueiro.

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