Oito de Janeiro: a invasão que abalou os fundamentos da democracia brasileira

Foto/Joédson Alves/Agência Brasil/Divulgação

Oito de janeiro de 2023. Há exatos três anos, o Brasil assistia às vidraças de prédios públicos sendo estilhaçadas por vândalos que invadiram as sedes dos Três Poderes da República.

Naquele dia, as grades de contenção do Supremo Tribunal Federal (STF) viraram escadas para o caos. 

Trinta e dois meses depois, o cenário agora é outro. O esclarecimento veio na forma de responsabilização. O Judiciário, que teve cadeiras arremessadas pela janela, deu a palavra final: em 16 de setembro de 2025, o ministro Cristiano Zanin, o presidente da Primeira Turma do STF, proclamava o resultado do julgamento contra o núcleo 1, indicado como o principal responsável pelo planejamento e articulação dos atos golpistas.

“A Turma, por maioria, julgou procedente a Ação Penal 2668 com a condenação dos reús”

Não se trata mais apenas daqueles que vandalizaram fisicamente cadeiras, móveis e obras de arte, mas sim da cúpula que tentou depor a democracia brasileira. Quem encerrou essa sessão histórica foi o então presidente do STF, Luís Roberto Barroso, com a expectativa de que crimes contra a democracia fiquem no passado.

“Desejo, muito sinceramente, que estejamos virando uma página da vida brasileira. E que possamos reconstruir relações com as divergências naturais da democracia, mas sem intolerância, extremismo ou incivilidade."

Corta para dezembro de 2025. O STF encerra também os julgamentos de outros três núcleos da "trama golpista". Ao todo, 29 pessoas foram condenadas e apenas duas absolvidas. Individualmente, as penas somam décadas de reclusão.

A lista de nomes revela o tamanho da conspiração contra a República:

▪️Jair Bolsonaro (ex-presidente da República) foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por crimes como golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e chefia de organização criminosa armada. Ele cumpre pena, em regime fechado, na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília (DF).

▪️Walter Braga Netto (general da reserva e ex-ministro) recebeu pena de 26 anos;

▪️Almir Garnier (almirante e ex-comandante da Marinha) foi condenado a 24 anos de prisão

▪️Anderson Torres (ex-ministro da Justiça) também recebeu pena de 24 anos de prisão. 

▪️Augusto Heleno (general da reserva e ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional) cumprirá 21 anos;

▪️Paulo Sérgio Nogueira (general da reserva e ex-ministro), foi condenado a 19 anos;

▪️Alexandre Ramagem (ex-chefe da Abin) condenado a 16 anos, permanece foragido.

Entre os condenados do núcleo 2, está Filipe Martins (ex-assessor) e Marcelo Câmara (ex-assessor e coronel da reserva), ambos condenados a 21 anos de prisão.

Fugas para o exterior

Alguns réus tentaram escapar da punição. Silvinei Vasques (ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal), condenado a 24 anos e 6 meses, foi preso no Paraguai após tentativa frustrada de fuga.

Já Alexandre Ramagem, ex-chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que foi condenado a 16 anos de prisão, permanece foragido.

Para evitar novas fugas, o STF determinou prisão domiciliar e monitoramento eletrônico para outros nove condenados enquanto a fase final de recursos ainda tramita na Corte.

Os detalhes exclusivos daquele 8 de janeiro de 2023 podem ser relembrados no videocast especial “Histórias em Pauta: Grades de Janeiro”. O episódio completo, lançado no primeiro aniversário dos ataques, está disponível no site da Radioagência Nacional e no Spotify.

*Com informações da Agência Brasil

José Carlos Goes

Sou locutor. Atuei em várias emissoras de rádio em Blumenau por quatro décadas. Atualmente trabalho na Massa FM de Blumenau e mantenho esse blog. Sou jornalista. Trabalhei em vários jornais impressos. Sou blogueiro.

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