Uma reviravolta no caso do cão Orelha, que mobilizou redes sociais e gerou forte comoção em Florianópolis, levou o Ministério Público de Santa Catarina a pedir o arquivamento das investigações contra os adolescentes apontados como responsáveis pela suposta agressão. A conclusão veio após análise de quase 2 mil arquivos periciais, que indicaram que os jovens e o animal não estiveram juntos na praia no horário apontado inicialmente pela investigação.
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| Foto/Reprodução/Divulgação |
Além disso, laudos técnicos apontaram que o cão sofria de uma grave infecção óssea crônica, descartando sinais de espancamento ou fraturas compatíveis com maus-tratos.
Erro na linha do tempo mudou rumo da investigação
Segundo as Promotorias de Justiça responsáveis pelo caso, a análise detalhada das imagens revelou um descompasso temporal de cerca de 30 minutos entre câmeras públicas e privadas utilizadas na investigação.
A falha alterou completamente a cronologia inicialmente apresentada pela polícia. Com a correção dos horários, ficou comprovado que o adolescente investigado e o cão estavam separados por cerca de 600 metros no momento em que a agressão teria ocorrido.
As perícias também mostraram que o animal mantinha capacidade normal de locomoção quase uma hora após o suposto ataque, o que enfraqueceu ainda mais a tese de violência recente.
Perícia aponta doença grave e não agressão
O laudo veterinário elaborado após a exumação do corpo identificou sinais de osteomielite, uma infecção óssea grave e crônica na região da face do cão.
Segundo os peritos, não foram encontradas fraturas, cortes ou lesões provocadas por ação humana. O animal apresentava apenas um forte inchaço na região esquerda da cabeça, compatível com infecção avançada decorrente de problemas dentários severos.
As Promotorias destacaram ainda que a morte da cadela Pretinha, companheira do cão Orelha, poucos dias depois por doença do carrapato, reforça o quadro de vulnerabilidade sanitária dos animais.
Redes sociais e “ouvi dizer” influenciaram investigação
Outro ponto destacado pelo Ministério Público foi o impacto da disseminação de informações sem confirmação nas redes sociais.
Segundo o documento, a versão da agressão ganhou força a partir de relatos indiretos, boatos e conteúdos compartilhados online com frases como “ouvi dizer” e “vi nas redes sociais”, sem provas concretas.
O MPSC afirma que a repercussão provocou uma espécie de linchamento virtual precoce, direcionando a investigação com base em suposições e afastando outras hipóteses.
MPSC vai investigar monetização e fake news
Como desdobramento do caso, o Ministério Público também determinou apuração sobre possível monetização de conteúdos falsos relacionados ao episódio nas redes sociais.
A investigação contará com apoio do CyberGAECO e deverá analisar se houve uso indevido do caso para obtenção de engajamento, exposição indevida de adolescentes e disseminação de informações falsas.
