Maior estrutura de contenção de cheias do Vale do Itajaí passa por recuperação completa; governo diz que cronograma prioriza preparação para o período de maior risco de chuvas e influência do El Niño
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A Barragem Norte de José Boiteux, considerada a principal estrutura de contenção de cheias do Vale do Itajaí, finalmente entrou em obras após anos de manutenção limitada e sucessivos adiamentos. A recuperação começou oficialmente em junho deste ano e tem prazo contratual de 12 meses, com conclusão prevista para maio de 2027.
A intervenção é considerada estratégica para aumentar a segurança operacional da barragem diante da possibilidade de eventos climáticos extremos, especialmente em períodos de influência do El Niño, fenômeno que costuma aumentar o volume de chuvas no Sul do Brasil.
O que está sendo feito
A obra recebeu investimento de aproximadamente R$ 9,9 milhões e prevê a modernização dos principais sistemas da barragem.
Entre os serviços em execução estão:
- recuperação da comporta que atualmente está emperrada e fora de operação;
- instalação de novo sistema hidráulico;
- reconstrução da casa de comando;
- instalação de uma nova ponte rolante;
- cercamento da área e melhorias de segurança;
- recuperação das estruturas operacionais da barragem.
Em que fase está a obra
Segundo a Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil, os trabalhos ainda estão na fase preparatória.
As equipes executaram um aterro provisório para retirar galhadas e sedimentos acumulados na galeria de descarga. Essa limpeza é considerada indispensável para reduzir o nível da água nas chamadas "tulipas", permitindo o acesso à comporta travada.
Somente após essa etapa será iniciada a recuperação mecânica da comporta, apontada como a fase mais complexa de toda a intervenção.
Quanto falta para concluir
Embora as obras tenham começado, ainda há praticamente todo o cronograma pela frente.
Como a ordem de serviço foi assinada em maio de 2026, o contrato estabelece 12 meses de execução, o que significa que restam cerca de 11 meses para a conclusão da reforma, caso o cronograma seja cumprido e não ocorram atrasos provocados por condições climáticas ou imprevistos técnicos.
A barragem está preparada para o El Niño?
A resposta é parcialmente.
De acordo com a Defesa Civil de Santa Catarina, a barragem continua operando e permanece apta para atuar no controle das cheias. No entanto, a reforma busca justamente recuperar sua capacidade operacional plena, já que uma das comportas apresenta problemas estruturais e precisa ser restaurada.
O secretário estadual da Proteção e Defesa Civil, coronel Fabiano de Souza, afirmou que a recuperação "garantirá mais segurança operacional e melhores condições de resposta em períodos de eventos extremos".
O governo também informou que o cronograma foi planejado para concentrar as etapas mais sensíveis antes do período historicamente mais chuvoso, entre a primavera e o verão, justamente para minimizar riscos durante uma eventual intensificação das chuvas.
Por outro lado, especialistas e parlamentares têm demonstrado preocupação com o fato de a obra ainda estar em fase inicial às vésperas de um novo ciclo de chuvas intensas. O deputado estadual Neodi Saretta afirmou que a aproximação de um possível El Niño reforça a necessidade de acelerar tanto a recuperação da barragem quanto o cumprimento das compensações acordadas com as comunidades indígenas.
Histórico de problemas
Construída para reduzir as enchentes no Vale do Itajaí, a Barragem Norte passou anos operando com limitações devido à falta de investimentos, desgaste dos equipamentos e impasses envolvendo compensações às comunidades indígenas da Terra Indígena Ibirama-Laklãnõ.
Após as enchentes históricas de 2023, o governo estadual intensificou as negociações com as lideranças indígenas e retomou o processo de recuperação da estrutura, juntamente com obras compensatórias como construção de moradias, igrejas, estradas e outras melhorias na região.
Situação atual
Neste momento, a Barragem Norte segue operando, porém ainda em processo de recuperação.
A expectativa do Governo de Santa Catarina é que, ao final da obra, a estrutura volte a funcionar com todos os sistemas modernizados, aumentando a capacidade de resposta diante de enchentes que frequentemente atingem municípios como Blumenau, Indaial, Rio do Sul, Gaspar e outras cidades do Vale do Itajaí.