Projeto une ciência, cultura quilombola e sustentabilidade em construção feita pelos próprios estudantes na Vila Itoupava
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| Foto/Divulgação |
Os estudantes da Escola Isolada Municipal (EIM) Dr. Blumenau, na Vila Itoupava, em Blumenau, estão colocando literalmente a mão na massa para aprender sobre ciência, história, sustentabilidade e cultura quilombola. O resultado é a construção da Mocambo Quibarro, uma casa de taipa erguida dentro da escola a partir de pesquisas, experimentos e conhecimentos tradicionais.
A iniciativa faz parte do projeto "Mocambo Quibarro – A Ciência da Taipa e sua Sustentabilidade Quilombola", que transforma o ambiente escolar em um verdadeiro laboratório de investigação científica e valorização dos saberes ancestrais.
A proposta nasceu da curiosidade das crianças durante os estudos sobre povos indígenas e quilombolas. A partir desse interesse, os estudantes passaram a pesquisar como barro, água e madeira podem ser utilizados para construir moradias resistentes, seguras e ambientalmente sustentáveis.
Durante o projeto, os alunos coletaram diferentes tipos de solo dentro da escola e analisaram suas características para identificar a presença de argila, elemento essencial na construção em taipa. Também realizaram experimentos para testar a resistência dos materiais, a capacidade de retenção de água e a utilização de fibras naturais para evitar rachaduras nas paredes.
A atividade reúne conteúdos de História, Geografia, Ciências, Matemática e Língua Portuguesa. Além das pesquisas sobre a cultura quilombola e os diferentes climas do Brasil, os estudantes produziram textos, desenhos, mapas mentais e realizaram medições que servirão para elaborar a planta baixa da construção.
O aprendizado também ultrapassou os muros da escola. As crianças entrevistaram familiares, moradores da comunidade e especialistas para conhecer as técnicas tradicionais utilizadas na construção com barro. As famílias ainda contribuíram com a doação de materiais empregados na estrutura e na futura decoração da casa.
Batizada pelas próprias crianças, a Mocambo Quibarro faz referência à união entre a cultura quilombola e o barro, principal matéria-prima da construção. Após a conclusão, o espaço será utilizado para atividades pedagógicas, rodas de conversa, momentos de leitura, vivências culturais, brincadeiras e experiências culinárias.
"Quando os estudantes têm a oportunidade de investigar, testar e participar ativamente da construção do conhecimento, eles se envolvem mais com o processo de aprendizagem. Esse projeto é um exemplo de como a escola pode promover experiências que despertam a curiosidade, estimulam o pensamento crítico e ampliam o olhar dos estudantes sobre diferentes culturas e modos de vida", destaca a secretária municipal de Educação, Simone Probst.
A iniciativa reforça a importância da aprendizagem prática, da educação ambiental e da valorização dos conhecimentos tradicionais, mostrando que a escola pode ser um espaço onde ciência, cultura e sustentabilidade caminham lado a lado na formação dos estudantes.
