Blumenau rompe contrato da segurança escolar após investigação do Gaeco

Prefeitura encerra vínculo com empresa que atuava nas escolas desde a tragédia da creche Cantinho Bom Pastor e anuncia modelo emergencial de controle de acesso

Foto/José Carlos Goes

A Prefeitura de Blumenau anunciou nesta segunda-feira (8) a rescisão dos contratos mantidos com a empresa Orcali, responsável por serviços de limpeza, zeladoria e vigilância nas unidades da rede municipal de ensino. A decisão ocorre em meio à revisão administrativa de contratos que são alvo de investigação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas).

O anúncio foi feito pelo prefeito Egidio Ferrari, que afirmou que a medida faz parte de um processo de apuração interna e de revisão dos contratos públicos firmados pelo município.

Os contratos somam mais de R$ 75 milhões e envolvem serviços prestados em escolas e Centros de Educação Infantil (CEIs). A empresa será oficialmente notificada e deverá concluir a desmobilização das atividades até o próximo dia 26 de junho.

Mudança afeta modelo adotado após ataque à creche

A decisão tem impacto direto no sistema de segurança implantado na rede municipal após o ataque à creche Cantinho Bom Pastor, ocorrido em abril de 2023, quando quatro crianças foram assassinadas e outras cinco ficaram feridas.

Desde então, a presença de vigilantes armados passou a fazer parte das medidas emergenciais adotadas pelo município para reforçar a proteção das unidades escolares.

Com a rescisão do contrato, a Prefeitura informou que o modelo atual será substituído temporariamente por um novo sistema de controle de acesso, baseado na contratação emergencial de porteiros qualificados.

Como vai funcionar a nova segurança nas escolas

Segundo a administração municipal, a mudança não representará redução na segurança dos estudantes.

Os profissionais que serão contratados emergencialmente terão a responsabilidade de controlar a entrada e saída de pessoas, realizar a identificação de visitantes e acompanhar a movimentação nas unidades escolares.

O contrato emergencial terá duração inicial de seis meses.

Durante coletiva de imprensa, o prefeito afirmou que a segurança escolar precisa ir além da presença de profissionais armados.

“A proteção das nossas crianças é um compromisso moral. Segurança não se resume à presença de uma arma. O que protege uma escola é um conjunto de medidas, como controle de acesso, monitoramento, tecnologia, protocolos bem definidos e profissionais capacitados”, declarou Egidio Ferrari.

Tecnologia será ampliada

Paralelamente à contratação emergencial, a Prefeitura anunciou novos investimentos em tecnologia para reforçar a segurança da rede municipal.

Entre as medidas previstas estão:

  • implantação de catracas eletrônicas;
  • ampliação do cercamento digital;
  • instalação de novas câmeras inteligentes;
  • integração das escolas à Central de Monitoramento do município;
  • cadastro prévio de pais e responsáveis;
  • identificação obrigatória de visitantes.

A meta da administração é concluir a implantação das novas estruturas até o início do ano letivo de 2027.

Prefeitura garante continuidade dos serviços

De acordo com a Prefeitura, a rescisão não causará prejuízos ao funcionamento das 46 escolas e 82 Centros de Educação Infantil da rede municipal.

Para evitar interrupções, serão abertas duas contratações emergenciais: uma para os serviços de limpeza e conservação e outra voltada ao controle de acesso nas unidades escolares.

Ferrari afirmou que a medida busca garantir transparência na gestão dos recursos públicos e assegurar a continuidade dos atendimentos à comunidade escolar.

“Não tenho compromisso com erro nem com irregularidades. Quem trabalha corretamente terá todo o respaldo da administração. Mas quem desrespeita a lei ou utiliza a estrutura pública de forma indevida não terá espaço no nosso governo”, afirmou.

Contratos serão revisados

Além da rescisão, a Prefeitura criou uma comissão interna para revisar os contratos relacionados aos serviços prestados pela empresa.

Segundo o município, o grupo será responsável por analisar a execução contratual e colaborar com os órgãos responsáveis pelas investigações em andamento.

As apurações conduzidas pelo Gaeco ainda estão em fase de investigação. Até o momento, não há condenações judiciais relacionadas ao caso. Os envolvidos têm garantidos os direitos ao contraditório e à ampla defesa, conforme prevê a legislação brasileira.

José Carlos Goes

Sou locutor. Atuei em várias emissoras de rádio em Blumenau por quatro décadas. Atualmente trabalho na Massa FM de Blumenau e mantenho esse blog. Sou jornalista. Trabalhei em vários jornais impressos. Sou blogueiro.

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