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Paralisação de caminhoneiros tem adesão limitada e pouco impacto no país

Movimento convocado pela Abrava se concentrou em portos, pressionou o Senado pela votação da MP do Frete, mas não provocou bloqueios generalizados nem desabastecimento



Foto/Setcesp/Reprodução/Ilustrativa/Divulgação

A paralisação nacional dos caminhoneiros convocada pela Abrava (Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores) nesta segunda-feira (13) teve adesão limitada e não provocou os impactos nacionais que eram temidos antes do início do movimento. Apesar da mobilização anunciada para todo o país, a maior concentração dos atos ocorreu em portos e polos logísticos, especialmente no Porto de Santos (SP), além de registros pontuais em terminais de outros estados.

A manifestação foi organizada para pressionar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, a colocar em votação a Medida Provisória 1.343/2026, conhecida como MP do Frete, que endurece a fiscalização do piso mínimo do frete, reforça a obrigatoriedade do CIOT (Código Identificador da Operação de Transporte) e prevê anistia para multas aplicadas a caminhoneiros em manifestações anteriores. A medida perde a validade nesta semana caso não seja aprovada pelo Congresso.

Movimento ficou concentrado nos portos

A orientação da Abrava era para que os motoristas não deixassem os portos com cargas, mantendo os caminhões parados até que houvesse um compromisso de votação da MP pelo Senado.

Segundo o presidente da entidade, Wallace Landim, conhecido como Chorão, a categoria aguardava havia semanas a inclusão da proposta na pauta.

"Há semanas a gente vem lutando para que o Senado coloque o texto em votação e isso não aconteceu", declarou o dirigente ao anunciar a paralisação.

Durante a manhã, a mobilização permaneceu concentrada principalmente em Santos, maior porto da América Latina, sem registro de bloqueios generalizados em rodovias federais ou estaduais.

Pouco impacto nacional

Apesar do anúncio de uma paralisação nacional, o movimento não causou desabastecimento, interrupção significativa no transporte de cargas ou reflexos relevantes para a população.

Também não houve registros de fechamento em massa de rodovias, cenário semelhante ao observado na histórica greve de 2018.

Até o momento, os principais efeitos ficaram restritos a atrasos pontuais em operações portuárias e à redução temporária da movimentação de cargas em alguns terminais.

Quanto tempo durou a paralisação?

A mobilização começou à 0h desta segunda-feira (13) e foi mantida ao longo da manhã enquanto os representantes da categoria aguardavam um posicionamento do Senado sobre a votação da MP.

A Abrava informou que o movimento poderia ser encerrado imediatamente caso fosse confirmada a inclusão da proposta na pauta ou poderia ser ampliado caso isso não ocorresse. Até o momento, não havia definição oficial sobre a continuidade da paralisação.

Entenda o que motivou o protesto

A MP 1.343/2026 foi editada pelo governo federal em março para fortalecer a política do piso mínimo do frete, uma das principais reivindicações da categoria desde a greve nacional de 2018.

Entre os principais pontos da medida estão:

  • reforço na fiscalização do piso mínimo do frete;
  • obrigatoriedade do CIOT em todas as operações;
  • sanções para empresas que contratarem fretes abaixo da tabela da ANTT;
  • anistia de multas relacionadas a manifestações de caminhoneiros realizadas em 2022.

Histórico de paralisações

A maior mobilização da categoria ocorreu em maio de 2018, quando os caminhoneiros permaneceram aproximadamente 10 dias parados, provocando desabastecimento de combustíveis, alimentos, medicamentos e prejuízos bilionários em diversos setores da economia brasileira.

Desde então, outras paralisações foram anunciadas em diferentes momentos, porém nenhuma alcançou a mesma dimensão nacional. Em março deste ano, uma nova greve chegou a ser cogitada, mas foi suspensa após a edição da própria MP 1.343, que atendeu parte das reivindicações da categoria.

Pode haver novas paralisações?

A Abrava já avisou que novas mobilizações não estão descartadas caso a MP do Frete perca a validade sem votação pelo Senado.

Segundo Wallace Landim, a categoria pretende intensificar a pressão política nos próximos dias, podendo convocar novos atos se não houver avanço na tramitação da proposta.

José Carlos Goes

Sou locutor. Atuei em várias emissoras de rádio em Blumenau por quatro décadas. Atualmente trabalho na Massa FM de Blumenau e mantenho esse blog. Sou jornalista. Trabalhei em vários jornais impressos. Sou blogueiro.

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