Vereador criticou o ajuste fiscal da Prefeitura, citou venda de imóveis públicos e defendeu que cortes também atinjam viagens, diárias, gratificações e cargos comissionados
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| Foto/Divulgação/CMB |
O ajuste fiscal da Prefeitura de Blumenau e os impactos das medidas sobre servidores e moradores estiveram entre os principais temas do pronunciamento do vereador Professor Gilson de Souza (União Brasil) na sessão da Câmara realizada na última quinta-feira (17).
A manifestação foi um dos destaques dos pronunciamentos da sessão e ocorreu no mesmo dia em que os vereadores aprovaram, em segunda votação, o projeto que autoriza o município a leiloar imóveis públicos considerados sem utilização institucional.
Gilson questionou a estratégia adotada pelo Executivo para enfrentar as dificuldades financeiras e criticou a utilização da venda de terrenos públicos como uma das alternativas para equilibrar as contas e quitar dívidas.
Segundo o vereador, a contenção de despesas não deveria ficar concentrada sobre os servidores e a população. Ele defendeu que a Prefeitura também reveja gastos com viagens, diárias, gratificações e cargos comissionados.
Viagens do prefeito entram no debate
A cobrança ocorre em um contexto de diferentes viagens e missões oficiais realizadas pelo prefeito Egidio Ferrari desde o início do mandato.
Em junho de 2025, Ferrari integrou uma missão oficial à Ásia, com agendas no Japão e na China, ao lado da comitiva do governador Jorginho Mello. A Prefeitura informou que a viagem teve como objetivos ampliar relações institucionais e buscar oportunidades de negócios e investimentos para Blumenau.
Em setembro do mesmo ano, o prefeito participou de uma segunda missão internacional, desta vez para Itália e Alemanha, entre os dias 12 e 24. A Câmara autorizou a viagem, que integrou uma comitiva da Associação dos Municípios do Vale Europeu (Amve). A justificativa oficial citou turismo, mobilidade, desenvolvimento econômico e intercâmbio de experiências.
Já em março de 2026, Ferrari realizou uma segunda viagem oficial à China. De acordo com a Prefeitura, a missão teve como foco a atração de investimentos, geração de empregos e fortalecimento das relações econômicas. O Executivo informou que as despesas seriam custeadas por parceiros institucionais chineses, sem custos para os cofres municipais.
Em agosto deste ano, o prefeito também esteve em Barretos (SP) durante a Festa do Peão, em uma agenda de divulgação da Oktoberfest Blumenau. Após a repercussão da presença no evento, Ferrari afirmou que a ação não utilizou dinheiro público e que a divulgação da festa ocorreu sem custos para o município.
Também há registro de deslocamento oficial a São Paulo, em agosto de 2026, para agenda institucional relacionada à divulgação da Oktoberfest. Documento publicado no âmbito do processo de contratação registra a aquisição de passagens aéreas para Ferrari e para a secretária municipal de Comunicação Social, Maria Luiza Fusinato.
Servidores também foram citados
Durante o pronunciamento, Gilson mencionou ainda o decreto que suspende por seis meses o pagamento de licença-prêmio convertida em pecúnia e de prêmio especial devido aos servidores.
Para o vereador, medidas de contenção precisam atingir a estrutura administrativa e não apenas trabalhadores e serviços oferecidos à população. A Câmara registrou oficialmente essas críticas no resumo dos pronunciamentos da sessão.
Cobrança por manutenção nos bairros
Outro ponto levantado pelo vereador foi a situação da infraestrutura dos bairros.
Gilson relatou problemas envolvendo buracos, tubulações, calçamentos e bocas de lobo e questionou a falta de recursos e equipamentos para a execução de serviços públicos.
Na avaliação apresentada no plenário, a discussão sobre o equilíbrio das contas municipais precisa ser acompanhada de respostas sobre a manutenção da cidade e a qualidade dos serviços prestados à população.
Prefeitura aponta necessidade de ajuste
A discussão ocorre em meio a medidas adotadas pelo Executivo para enfrentar a situação financeira do município. Na votação do projeto dos imóveis, a justificativa oficial apresentada pela Prefeitura foi de que os bens não utilizados para finalidades institucionais geram custos de manutenção e que a alienação pode contribuir para as contas municipais.
O debate, portanto, coloca em lados distintos duas questões: a necessidade de reduzir despesas e equilibrar as contas públicas e a cobrança para que o esforço fiscal também alcance os gastos e a estrutura da própria administração.
Ao final do pronunciamento, Gilson defendeu que novas medidas de contenção sejam adotadas pelo Executivo e manifestou preocupação com possíveis impactos futuros nas áreas de educação, saúde e manutenção pública.
Assista ao pronunciamento completo de Professor Gilson de Souza: YouTube — pronunciamento completo
