Blumenau quer construir sua marca para o futuro e ouvir quem ajudou a escrever sua história

Foto/Giovanni Silva/Divulgação

Projeto lançado pela Prefeitura busca definir a identidade da cidade com participação popular, pesquisas científicas e escuta da comunidade

BLUMENAU — Mais do que criar um slogan ou uma identidade visual, Blumenau iniciou nesta quinta-feira (9) um movimento estratégico para responder a uma pergunta decisiva: que cidade Blumenau quer mostrar ao mundo? A proposta, lançada pela Prefeitura em parceria com a Furb, pretende construir uma marca oficial para o município com base em pesquisa científica, participação popular e escuta ativa da comunidade.

A iniciativa tem como foco consolidar uma identidade que represente a cidade de forma autêntica, fortaleça seu posicionamento e amplie sua visibilidade nos cenários estadual, nacional e internacional. As pesquisas serão conduzidas pela Universidade Regional de Blumenau (Furb), por meio do projeto Focus, e contarão com a participação direta da população.

Blumenau quer transformar memória, identidade e futuro em marca

O projeto parte de uma reflexão central: a narrativa que Blumenau apresenta hoje realmente traduz a cidade que ela é — e a cidade que deseja ser no futuro?

Para responder a essa questão, a Prefeitura vai promover uma ampla escuta pública. A primeira fase será quantitativa, com aplicação de questionários a cerca de 1.100 moradores, em todos os bairros do município. A coleta será realizada entre abril e maio, tanto de forma presencial quanto digital, para medir a percepção da população sobre diferentes conceitos ligados à identidade da cidade.

Na sequência, o projeto avança para uma etapa qualitativa, com grupos focais formados por lideranças, representantes de entidades e membros da comunidade. Os encontros estão previstos para o início de junho e terão como objetivo aprofundar significados, percepções e narrativas, além de validar os conceitos mais bem avaliados na etapa anterior.

Além das ações de campo, qualquer cidadão poderá contribuir com o processo por meio do site: furb.br/blumenauquemarca.

Prefeitura diz que projeto vai além da criação de uma marca

Segundo o prefeito Egidio Ferrari, a proposta não se limita à construção de uma identidade visual, mas representa uma definição estratégica sobre os rumos da cidade.

“Queremos construir uma marca que represente Blumenau de forma consistente, e isso só é possível ouvindo e envolvendo toda a comunidade. Queremos que todo mundo se reconheça nessa marca e que ela provoque uma sensação de pertencimento”, afirmou.

A secretária de Comunicação, Maria Luiza Fusinato, destacou que uma identidade bem estruturada pode se tornar uma ferramenta importante para o desenvolvimento da cidade em diversas áreas.

“A iniciativa marca o início de um novo ciclo para a cidade, que pretende contar sua história com mais clareza, estratégia e propósito. Para isso, a parceria com a Furb será muito importante, por toda a expertise que eles têm sobre pesquisa e comunicação”, pontuou.

Quem viveu a reconstrução de Blumenau também quer ser ouvido

A construção da marca de uma cidade como Blumenau passa, inevitavelmente, por sua história — e por quem a viveu intensamente.

Entre os convidados para contribuir com essa reflexão está o jornalista José Carlos Goes, profissional de imprensa que acompanha a trajetória de Blumenau há mais de quatro décadas. Testemunha de alguns dos momentos mais marcantes da história recente do município, ele chegou à cidade em agosto de 1983, justamente no período em que Blumenau ainda enfrentava as consequências de uma das maiores tragédias de sua história.

Embora a grande enchente de 1983 tenha ocorrido em julho, foi em 1984 que ele acompanhou de perto, ao lado da população, um novo episódio de sofrimento e superação. Também viu nascer a Oktoberfest, criada justamente como uma resposta de esperança, reconstrução e valorização da autoestima da cidade após as enchentes que abalaram Blumenau.

Ao longo desses mais de 40 anos, acompanhou as profundas transformações econômicas, sociais, culturais e políticas do município — um repertório que agora se soma ao esforço coletivo de pensar qual imagem Blumenau quer projetar para o futuro.

Marca de cidade precisa representar mais do que turismo

Especialistas em comunicação pública e branding territorial defendem que a construção de uma marca de cidade não deve se limitar à promoção turística. Ela precisa refletir identidade, vocação econômica, memória, pertencimento, inovação e visão de futuro.

No caso de Blumenau, esse desafio é ainda mais simbólico: trata-se de uma cidade que construiu sua imagem a partir de uma forte herança cultural, mas que também se reinventou ao longo das décadas em áreas como indústria, tecnologia, educação, eventos e urbanismo.

A proposta da Prefeitura, portanto, abre espaço para uma discussão mais ampla: Blumenau quer ser reconhecida apenas por sua tradição ou também por sua capacidade de transformação?

Participação popular será decisiva

A força do projeto dependerá justamente da participação da comunidade. O objetivo é que a marca da cidade não seja apenas uma decisão institucional, mas o resultado de uma construção coletiva, capaz de traduzir aquilo que os moradores sentem, defendem e desejam para Blumenau.

Mais do que definir um conceito visual, o município busca agora algo maior: traduzir em identidade aquilo que Blumenau representa para quem vive, trabalha, empreende e constrói a cidade todos os dias.

José Carlos Goes

Sou locutor. Atuei em várias emissoras de rádio em Blumenau por quatro décadas. Atualmente trabalho na Massa FM de Blumenau e mantenho esse blog. Sou jornalista. Trabalhei em vários jornais impressos. Sou blogueiro.

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