MPSC cobra ações urgentes de prefeituras de SC diante do risco de novo El Niño

Promotorias instauram procedimentos para fiscalizar planos de contingência, áreas de risco e estrutura da Defesa Civil nos municípios catarinenses

Foto/MPSC/Divulgação

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) iniciou uma mobilização em diferentes regiões do estado para acompanhar e fiscalizar as ações das prefeituras diante da possibilidade de atuação do fenômeno El Niño no segundo semestre deste ano. A medida envolve a instauração de procedimentos pelas Promotorias de Justiça para verificar como os municípios estão se preparando para enfrentar possíveis enchentes, deslizamentos e outros eventos climáticos extremos.

O tema foi debatido nesta sexta-feira (22), durante uma audiência pública promovida pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina (ALESC), que reuniu autoridades, meteorologistas, representantes da Defesa Civil e entidades da sociedade civil.

A atuação do MPSC foi apresentada pela coordenadora em exercício do Centro de Apoio Operacional do Meio Ambiente (CME), a promotora de Justiça Raíza Alves Resende, que destacou a necessidade de medidas preventivas integradas entre diferentes áreas do poder público.

Segundo ela, o objetivo é garantir que os municípios tenham condições reais de responder rapidamente em situações de desastre.

“A atuação não é exclusiva da Defesa Civil; envolve diversos órgãos, como Corpo de Bombeiros, Polícias, saúde e assistência social”, afirmou a promotora durante a audiência.

Prefeituras terão de apresentar informações

De acordo com o MPSC, as Promotorias já começaram a solicitar informações às administrações municipais sobre as ações preventivas em andamento.

Entre os questionamentos enviados às prefeituras estão:

  • existência e atualização do plano de contingência;
  • estrutura operacional da Defesa Civil;
  • cadastro e preparação de abrigos públicos;
  • mapeamento atualizado das áreas de risco;
  • integração da assistência social nas ações emergenciais;
  • identificação de famílias em situação de vulnerabilidade;
  • capacidade de aplicação da legislação de proteção animal em desastres.

A promotora ressaltou que agir apenas após tragédias não é suficiente.

“Atuar depois, na reparação e responsabilização, é necessário, mas precisamos ser mais eficazes e entregar mais proteção à população”, declarou.

Relatório aponta falhas graves em Santa Catarina

Durante o encontro, o MPSC também apresentou dados considerados preocupantes de um levantamento divulgado pelo Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE/SC) em 2024.

O relatório identificou fragilidades estruturais em dezenas de municípios catarinenses:

  • 98 municípios possuem áreas de alto risco para deslizamentos e inundações;
  • 34 cidades em situação crítica não tinham plano de contingência;
  • 13 municípios de altíssimo risco operavam sem órgão formalizado de Defesa Civil;
  • 49 cidades não haviam criado fundo municipal de Defesa Civil;
  • 31 municípios não possuíam abrigos públicos cadastrados;
  • 79 cidades nunca realizaram exercícios simulados com a população vulnerável.

Os números reforçam a preocupação das autoridades diante da possibilidade de um novo período de chuvas intensas no estado.

Debate reuniu autoridades e especialistas

A audiência pública foi proposta e presidida pelo deputado estadual Matheus Cadorin, presidente da Comissão de Economia, Ciência, Tecnologia e Inovação da ALESC.

Segundo o parlamentar, o objetivo foi discutir estratégias para proteger vidas e reduzir impactos econômicos e sociais em caso de novos eventos extremos.

Também participaram do debate:

  • o meteorologista Leandro Puchalski;
  • a meteorologista Marilene de Lima;
  • o secretário-adjunto da Defesa Civil de Santa Catarina, Ricardo Miranda;
  • e o superintendente do DNIT em Santa Catarina, Amauri Souza Lima.

Representantes de universidades, órgãos técnicos e entidades civis também participaram das discussões.

MPSC já havia antecipado medidas preventivas

As ações de preparação já haviam sido debatidas pelo MPSC na última segunda-feira (18), durante reunião ampliada da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da ALESC.

Na ocasião, foram reforçadas recomendações como:

  • atualização dos planos de contingência;
  • revisão dos sistemas de alerta;
  • manutenção da drenagem urbana;
  • realização de simulados;
  • preparação de abrigos temporários;
  • fortalecimento da integração entre Defesa Civil, saúde, assistência social e planejamento urbano.

O Ministério Público informou ainda que realizará uma reunião específica com integrantes do Grupo Especial de Defesa dos Direitos Relacionados a Desastres Socioambientais e Mudanças Climáticas (GEDCLIMA) para ampliar o monitoramento das ações em Santa Catarina.

José Carlos Goes

Sou locutor. Atuei em várias emissoras de rádio em Blumenau por quatro décadas. Atualmente trabalho na Massa FM de Blumenau e mantenho esse blog. Sou jornalista. Trabalhei em vários jornais impressos. Sou blogueiro.

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