Obra milionária na Rua 2 de Setembro está parada; moradores denunciam insegurança, comerciantes acumulam perdas e Prefeitura ameaça rescindir contratos
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| Janaína aponta para a área onde havia o portão de segurança. Foto/José Carlos Goes |
BLUMENAU – A paralisação das obras da Ponte Santa Catarina, na Rua 2 de Setembro, bairro Itoupava Norte, tem provocado uma onda de reclamações de moradores e comerciantes que convivem diariamente com os impactos do canteiro abandonado. A empresa responsável está envolvida nas inverstigações do Ministério Público e teve suas contas bancárias boqueadas pela Justiça.
Enquanto a obra permanece sem atividade, aumentam os relatos de insegurança, prejuízos financeiros e revolta com a falta de soluções. A intervenção faz parte do projeto do Corredor Norte e recebe recursos de um financiamento internacional junto ao Fonplata, com investimento de aproximadamente R$ 14,2 milhões.
A situação ocorre semanas após a deflagração da Operação Ponto Final, do GAECO, que investiga um suposto esquema de fraude em licitações, cartel e superfaturamento de contratos públicos envolvendo empresários e agentes públicos da região. A investigação segue em andamento e os envolvidos têm direito ao contraditório e à ampla defesa.
Moradora relata medo após retirada de portão
Uma das principais preocupações é a segurança.
A moradora Janaína afirma que a construtora removeu um portão localizado em frente ao prédio onde reside durante a execução da obra. Com a paralisação dos trabalhos, o local ficou completamente aberto.
Segundo ela, a situação passou a facilitar a circulação de moradores de rua e usuários de drogas na área.
"Hoje qualquer pessoa entra no pátio. Ficamos preocupados porque temos crianças e famílias morando aqui. A sensação é de abandono", relatou.
A moradora afirma que já procurou informações sobre a retomada dos serviços, mas até o momento não recebeu uma resposta concreta.
Comerciante amarga prejuízos
O comerciante Marcos Gastaldi também contabiliza perdas.
Ele relata que uma parede de vidro do seu estabelecimento foi atingida por pedras lançadas durante a movimentação das máquinas da obra. O dano teria ocorrido antes da paralisação dos trabalhos.
Agora, além do custo para reparar a estrutura, ele enfrenta uma forte redução no movimento de clientes.
"Já tivemos prejuízo com a obra e agora estamos sofrendo com a queda nas vendas. As pessoas evitam passar por aqui por causa da situação da rua", afirmou.
Empresários da região relatam que a dificuldade de acesso, o cenário de abandono e a incerteza sobre a conclusão da obra afastaram consumidores e prejudicaram a atividade econômica local.
Prefeitura prepara rescisão dos contratos
Durante entrevista ao programa Microfone Aberto, da Rádio Massa FM Blumenau, nesta segunda-feira (2), o procurador-geral do município, Éder Boron, afirmou que as empresas responsáveis pelas obras paralisadas estão sendo formalmente notificadas pela Prefeitura.
Segundo ele, caso não haja retorno das atividades dentro dos prazos estabelecidos, o município deverá iniciar os procedimentos para a rescisão contratual.
A medida abriria caminho para a realização de novas licitações e contratação de outras empresas para concluir os trabalhos.
De acordo com Boron, a administração municipal busca alternativas jurídicas para evitar que as obras permaneçam indefinidamente interrompidas.
Obra começou em 2025 e é considerada estratégica
A reforma e ampliação da Ponte Santa Catarina teve início em fevereiro de 2025 e integra o primeiro trecho do projeto do Corredor Norte. Além da ampliação da ponte, o contrato prevê intervenções urbanísticas na Rua 2 de Setembro. O investimento é financiado pelo Fonplata (Fundo Financeiro para o Desenvolvimento da Bacia do Prata).
A estrutura é considerada estratégica para a mobilidade da região Norte de Blumenau, servindo de ligação para bairros como Itoupava Norte, Salto do Norte, Itoupavazinha e Vila Itoupava.
Investigação segue em andamento
A Operação Ponto Final foi deflagrada pelo GAECO em maio deste ano e investiga suspeitas de direcionamento de licitações, formação de cartel e superfaturamento de contratos públicos em Blumenau e outras cidades catarinenses. Entre as medidas determinadas pela Justiça estão restrições impostas a investigados e a suspensão de contratações com o poder público em determinados casos.
Até o momento, não há condenações relacionadas aos fatos investigados na operação. As apurações continuam e os investigados têm garantidos os direitos constitucionais de defesa e contraditório.
