Golpista que fingia ser adolescente tem prisão preventiva decretada

Mulher de 37 anos é investigada por estelionato e falsa identidade após enganar família de Joinville por mais de um ano

Foto/Reprodução/Divulgação

Uma mulher de 37 anos, suspeita de se passar por uma adolescente para obter moradia, sustento e benefícios financeiros, teve a prisão preventiva decretada pela Justiça após audiência de custódia. O caso, registrado em Joinville, no Norte de Santa Catarina, ganhou repercussão nacional nos últimos dias devido à complexidade do suposto golpe.

Segundo o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), Amanda Maria Souza de Oliveira foi presa em flagrante e permanecerá detida enquanto prosseguem as investigações. Ela é investigada pelos crimes de estelionato e falsa identidade.

De acordo com a denúncia apresentada pela 25ª Promotoria de Justiça, a manutenção da prisão foi considerada necessária para garantir a ordem pública e evitar riscos à investigação. O órgão também apontou que a suspeita teria uma vida itinerante e não possuiria residência fixa, fatores que poderiam dificultar a aplicação da lei penal.

Como o suposto golpe teria ocorrido

As investigações apontam que a mulher teria se aproximado de uma família de Joinville em fevereiro de 2025 utilizando a identidade falsa de “Gabriele”. Ela teria alegado ser uma menina de 11 anos, posteriormente afirmando ter 12 anos, além de relatar supostas situações de vulnerabilidade, abusos e autismo.

Segundo o inquérito, durante cerca de 14 meses, a suspeita teria mantido o personagem de adolescente, adotando inclusive comportamentos infantilizados, como o uso de mamadeira e chupeta.

Durante esse período, a família teria assumido integralmente despesas relacionadas à moradia, alimentação, vestuário e medicamentos.

Descoberta da farsa

A suposta fraude veio à tona em maio de 2026. Conforme a investigação, familiares das vítimas identificaram semelhanças entre o caso e reportagens sobre golpes semelhantes registrados em outros estados brasileiros.

A partir dessas informações, a Polícia Civil aprofundou as apurações e confirmou que a suposta adolescente era, na verdade, uma mulher adulta.

Histórico de atuação em outros estados

Segundo a Polícia Civil, Amanda seria investigada por aplicar golpes semelhantes em diferentes regiões do país.

As apurações indicam registros de atuação nos estados do Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás.

O suposto modus operandi consistiria em se aproximar de famílias ou instituições religiosas utilizando histórias de vulnerabilidade emocional e social para conquistar confiança e obter vantagens materiais.

Ministério Público aponta gravidade da conduta

No pedido de prisão preventiva, a promotora de Justiça Bruna Gonçalves Gomes destacou a gravidade dos fatos investigados.

Segundo ela, a suspeita teria demonstrado “elevado grau de reprovabilidade, periculosidade social e frieza na execução do delito”, explorando sentimentos de solidariedade, empatia e afeto para obter benefícios indevidos.

Além da prisão preventiva, o Ministério Público também solicitou a quebra de sigilo dos dados do celular apreendido com a investigada. O objetivo é analisar mensagens, registros telefônicos e conteúdos de aplicativos que possam ajudar a esclarecer a dimensão das supostas fraudes.

Investigação continua

O caso segue sob investigação da Polícia Civil e do Ministério Público. As autoridades buscam identificar possíveis novas vítimas e verificar a existência de outros episódios semelhantes em diferentes estados.

A suspeita permanece à disposição da Justiça. Como determina a legislação brasileira, ela tem direito ao contraditório e à ampla defesa, e os fatos ainda serão analisados durante o processo judicial.

José Carlos Goes

Sou locutor. Atuei em várias emissoras de rádio em Blumenau por quatro décadas. Atualmente trabalho na Massa FM de Blumenau e mantenho esse blog. Sou jornalista. Trabalhei em vários jornais impressos. Sou blogueiro.

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