Obra abandonada pela empreiteira provoca prejuízos, interdições e incerteza para trabalhadores e empresários da região da Itoupava Norte
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| Foto/José Carlos Goes |
A paralisação das obras da Ponte Santa Catarina, em Blumenau, já provoca reflexos diretos na vida de trabalhadores, comerciantes e moradores da região da Itoupava Norte. Com o canteiro abandonado e sem previsão concreta para retomada dos trabalhos, cresce o temor de perda de empregos e fechamento de estabelecimentos.
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Na manhã desta quinta-feira (5), durante uma transmissão da unidade móvel da Massa FM na Rua 30 de Agosto, uma das vias mais impactadas pela situação, a reportagem ouviu relatos que demonstram o tamanho da preocupação da comunidade.
A rua passa sob a nova estrutura da ponte e permanece com restrições causadas pela obra inacabada. Entre os entrevistados estava um trabalhador que seguia de bicicleta para o emprego. Há 30 anos trabalhando em um mercadinho da região, ele afirmou nunca ter visto uma situação semelhante.
"Trabalho há 30 anos no mesmo mercado e nunca vi uma obra causar tanto impacto. O movimento caiu muito", relatou.
Segundo ele, a redução no fluxo de clientes já afeta diretamente o comércio local. O trabalhador disse temer pela manutenção do próprio emprego caso a situação não seja resolvida nos próximos meses.
Comércio vive momento de apreensão
A preocupação não se limita à parte inferior da obra.
Na área superior, por onde passará a nova ponte, comerciantes relatam dificuldades diárias para manter seus negócios funcionando. Além da queda no movimento, muitos estabelecimentos enfrentam obstáculos físicos que dificultam o acesso dos clientes.
Pilhas de lajotas paver, montes de areia, brita e outros materiais deixados nas proximidades da obra acabaram comprometendo entradas e acessos de empresas instaladas ao longo do trecho.
Empresários afirmam que a redução do fluxo de consumidores já é percebida há meses e que a continuidade da paralisação pode tornar a situação insustentável.
Alguns comerciantes relatam que aguardam uma solução urgente para evitar prejuízos ainda maiores e até mesmo o encerramento das atividades.
Por que a obra está parada?
A obra foi interrompida após a empreiteira responsável abandonar o canteiro.
De acordo com informações divulgadas pelo Município, a empresa enfrenta dificuldades decorrentes de medidas judiciais relacionadas a investigações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco).
Conforme informado oficialmente, bloqueios judiciais teriam afetado a capacidade financeira da construtora, impactando a continuidade dos trabalhos.
É importante destacar que as investigações seguem em andamento e que os envolvidos têm garantidos, pela legislação brasileira, o direito ao contraditório e à ampla defesa. Até eventual decisão definitiva da Justiça, não há condenação transitada em julgado.
Município cobra retomada dos trabalhos
Diante da paralisação, o procurador-geral do Município de Blumenau, Eder Boron, informou que a empresa foi formalmente notificada para retomar os serviços e cumprir as obrigações previstas em contrato.
A Prefeitura também avalia medidas administrativas e jurídicas para evitar que a população continue sendo prejudicada pela interrupção da obra.
Enquanto uma solução definitiva não é apresentada, moradores, trabalhadores e comerciantes seguem convivendo com transtornos diários e cobrando respostas para uma das obras de mobilidade mais aguardadas da região.
A expectativa da comunidade é que a situação seja resolvida rapidamente para evitar novos prejuízos econômicos e sociais em um dos principais corredores urbanos de Blumenau.
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