Médicos são indiciados por morte de gestante e bebê em SC

Polícia Civil conclui inquérito e aponta possível negligência em atendimentos realizados antes da transferência para Blumenau

Foto/Reprodução/Divulgação

A Polícia Civil concluiu o inquérito que investigou a morte da gestante Maria Luiza Bogo Lopes, de 18 anos, e indiciou dois médicos pelo crime de homicídio culposo, quando não há intenção de matar.

A jovem morreu no dia 2 de abril após procurar atendimento médico por quatro dias consecutivos no Hospital Beatriz Ramos, em Indaial, no Vale do Itajaí. Ela estava com 28 semanas de gestação e apresentava sintomas considerados graves, como febre, dores no corpo, vômitos e manchas na pele.

Segundo relatos da família, em todas as ocasiões Maria Luiza recebeu medicação e foi liberada para retornar para casa.

O caso ganhou grande repercussão após a gestante ser encaminhada em estado grave ao Hospital Santo Antônio, em Blumenau. No local, ela foi submetida a uma cesariana de emergência. A bebê nasceu sem sinais vitais e Maria Luiza morreu horas depois.

Investigação reuniu laudos e depoimentos

De acordo com a Polícia Civil, a investigação buscou esclarecer as circunstâncias da morte por meio da análise de prontuários médicos, documentos do Samu, laudos periciais e depoimentos de testemunhas e profissionais envolvidos.

Ao todo, foram realizadas 20 oitivas, além da produção de três laudos periciais especializados e duas perícias complementares.

Em nota, a Polícia Civil destacou que os trabalhos técnicos foram fundamentais para determinar a causa da morte e avaliar as condutas adotadas durante os atendimentos prestados à paciente.

Dois médicos foram indiciados

Com base nos elementos reunidos durante a apuração, a autoridade policial decidiu pelo indiciamento de dois médicos por homicídio culposo.

A Polícia Civil ressaltou que o indiciamento é uma atribuição do delegado responsável pela investigação e não determina, por si só, eventual responsabilização criminal dos envolvidos.

Agora, o inquérito será encaminhado ao Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), que analisará o material produzido pela investigação. O órgão poderá apresentar denúncia à Justiça, solicitar novas diligências ou adotar entendimento diferente sobre os fatos.

Direito à defesa

Os profissionais investigados têm garantidos os direitos constitucionais ao contraditório e à ampla defesa. Até eventual decisão judicial definitiva, não há condenação no caso.

O desfecho do processo dependerá da análise do Ministério Público e, posteriormente, do Poder Judiciário.

José Carlos Goes

Sou locutor. Atuei em várias emissoras de rádio em Blumenau por quatro décadas. Atualmente trabalho na Massa FM de Blumenau e mantenho esse blog. Sou jornalista. Trabalhei em vários jornais impressos. Sou blogueiro.

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