FIFA promove ato global contra discurso de ódio na Copa

Capitães trocaram bandeiras com mensagem antidiscriminação em todas as partidas do Mundial nesta quinta-feira (19)

Foto/Divulgação/Fifa

Em uma ação simbólica de alcance mundial, a FIFA promoveu nesta quinta-feira (19) uma mobilização contra o discurso de ódio durante a Copa do Mundo de 2026. Antes das quatro partidas disputadas no dia, os capitães das seleções trocaram bandeiras especiais com mensagens de combate à discriminação.

A iniciativa marcou o Dia Internacional de Combate ao Discurso de Ódio, celebrado pela Organização das Nações Unidas (ONU), e ocorreu nos confrontos entre República Tcheca e África do Sul, México e Coreia do Sul, Suíça e Bósnia-Herzegovina, além de Canadá e Catar.

As bandeiras exibiam o slogan “We Play Together. Fight Against Hate” (“Jogamos Juntos. Lutamos Contra o Ódio”), impresso em inglês de um lado e nos idiomas nativos das equipes do outro.

Campanha reforça combate à discriminação

Segundo a FIFA, a ação faz parte de uma estratégia mais ampla para enfrentar manifestações de racismo, xenofobia, homofobia e outras formas de discriminação ligadas ao futebol.

A entidade também divulgou números atualizados sobre o monitoramento das redes sociais durante o torneio. De acordo com a organização, mais de 388 mil publicações abusivas foram bloqueadas desde o início da competição.

Na edição realizada no Catar, em 2022, foram identificados e removidos 287 conteúdos classificados como criminosos.

A FIFA informou ainda que seu sistema automatizado de proteção digital, criado antes da Copa de 2022, já eliminou mais de 30 milhões de comentários e publicações ofensivas em plataformas online desde a sua implementação.

México volta ao centro das preocupações

A preocupação com episódios de discriminação já era um tema sensível antes mesmo do início do Mundial deste ano, especialmente para o México, um dos países-sede da competição.

Nas Copas de 2018, 2022 e 2024, a FIFA aplicou diferentes sanções à seleção mexicana devido ao comportamento de parte de seus torcedores, que costumavam entoar cânticos considerados homofóbicos durante partidas.

As punições incluíram multas financeiras, advertências oficiais e até interrupções temporárias de jogos.

Mesmo após as sanções, os episódios voltaram a ser registrados durante partidas classificatórias para a Copa de 2026, realizadas em Guadalajara, nos confrontos entre México e Jamaica e também contra a República Democrática do Congo.

Federação Mexicana lança campanha educativa

Na tentativa de reduzir os casos e evitar novas penalidades esportivas, a Federação Mexicana de Futebol lançou, em maio, uma campanha nacional de conscientização.

Batizada de “A ola, sim, o grito, não”, a iniciativa reúne nomes históricos do futebol mexicano, entre eles Hugo Sánchez e Javier Aguirre, além de ex-jogadores que participaram da Copa do Mundo de 1986, realizada no país.

A campanha busca conscientizar os torcedores sobre os impactos dos cânticos ofensivos e reforçar a importância do respeito dentro e fora dos estádios.

Futebol e responsabilidade social

Com a troca de bandeiras e o reforço das ações de monitoramento digital, a FIFA busca ampliar o debate sobre respeito, inclusão e convivência no esporte.

A entidade afirma que o objetivo é garantir que a Copa do Mundo seja um ambiente seguro para atletas, torcedores e profissionais envolvidos no evento, reforçando a mensagem de que o futebol deve ser um espaço de união e não de discriminação.

José Carlos Goes

Sou locutor. Atuei em várias emissoras de rádio em Blumenau por quatro décadas. Atualmente trabalho na Massa FM de Blumenau e mantenho esse blog. Sou jornalista. Trabalhei em vários jornais impressos. Sou blogueiro.

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