Secretário de Saúde defende plataforma utilizada em Blumenau, enquanto vereadores apontam reclamações de usuários e servidores
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| Foto/Rogério Pires/Divulgação |
A discussão sobre o futuro do Sistema Pronto, plataforma que gerencia grande parte da rede pública de saúde de Blumenau, voltou ao centro dos debates na Câmara de Vereadores nesta terça-feira (16). Durante reunião da Comissão Legislativa Temporária Especial criada para acompanhar o sistema, o secretário municipal de Promoção da Saúde, Marcelo Lanzarin, apresentou dados, justificativas e planos de expansão da ferramenta, enquanto parlamentares cobraram respostas sobre reclamações recorrentes da população e dos servidores.
O encontro teve como foco esclarecer o funcionamento do sistema, seus custos, resultados e os investimentos previstos para os próximos anos. A projeção de gastos que pode chegar a R$ 4 milhões foi um dos principais pontos debatidos.
Sistema vai além do aplicativo, diz secretário
Durante a apresentação, Lanzarin afirmou que parte das críticas recebidas pela Prefeitura está relacionada ao aplicativo de agendamento de consultas, mas destacou que ele representa apenas uma pequena parcela do Sistema Pronto.
Segundo o secretário, a plataforma reúne funcionalidades como prontuário eletrônico integrado, gestão de atendimentos, controle de estoque, relatórios gerenciais e acompanhamento do histórico dos pacientes da rede pública.
“O aplicativo é apenas uma parte do sistema. O Pronto é uma ferramenta muito maior, que dá suporte à gestão da saúde pública de Blumenau há mais de dez anos”, argumentou.
A equipe técnica também apresentou funcionalidades utilizadas durante a pandemia, mecanismos de gestão e relatórios que auxiliam na tomada de decisões da Secretaria Municipal de Saúde.
Contrato prevê novas funcionalidades
Lanzarin explicou que o valor previsto para o contrato representa uma estimativa de investimento destinada à manutenção e evolução da plataforma.
Entre as novidades estudadas estão a incorporação de recursos de inteligência artificial, ampliação da integração com sistemas federais e melhorias operacionais.
O secretário também comentou o fato de metas previstas para 2025 não terem sido alcançadas. Segundo ele, em determinado momento da administração municipal houve a intenção de substituir o Sistema Pronto por uma solução privada.
Após estudos comparativos, porém, a gestão concluiu que a plataforma desenvolvida em Blumenau continuava apresentando vantagens técnicas e financeiras.
Comparação com sistemas privados
O gestor do contrato do Sistema Pronto, Gabriel Primo, informou que até outubro do ano passado o município mantinha apenas um contrato de sustentação da plataforma, sem previsão para novos desenvolvimentos.
Durante a transição de governo, foram realizadas análises de sistemas utilizados por outros municípios e de soluções oferecidas pela iniciativa privada.
De acordo com Primo, os estudos indicaram que o Sistema Pronto entrega funcionalidades semelhantes às encontradas em plataformas consideradas referência no mercado, mas com custo significativamente menor.
“A relação custo-benefício demonstrou ser bastante vantajosa para o município”, destacou.
Educação e Assistência Social ampliaram contrato
Outro tema discutido foi o aumento do valor previsto para o contrato.
Segundo a Secretaria de Saúde, a ampliação ocorreu porque as secretarias de Educação e Assistência Social passaram a utilizar módulos desenvolvidos dentro da mesma estrutura tecnológica.
Com isso, a previsão de investimentos saltou de aproximadamente R$ 1,2 milhão para quase R$ 4 milhões.
Lanzarin garantiu que a expansão não comprometerá a finalidade principal da plataforma.
“O foco continua sendo a saúde. Os sistemas vão trabalhar de forma integrada, mas cada área terá suas especificidades”, afirmou.
Controle de estoque gerou economia
Entre os diferenciais apresentados pela Prefeitura está o sistema inteligente de controle de estoque.
Segundo o secretário, a ferramenta passou a analisar automaticamente o consumo real de materiais antes de autorizar novas solicitações, reduzindo desperdícios.
A funcionalidade já estaria sendo utilizada também pela Secretaria de Educação e, conforme a administração municipal, teria gerado economia significativa sem prejudicar o abastecimento das unidades.
Municípios da região estudam adesão
Outro anúncio feito durante a reunião foi a possibilidade de expansão regional da plataforma.
Lanzarin informou que o Sistema Pronto foi apresentado aos municípios integrantes da Associação dos Municípios do Vale Europeu (AMVE).
Segundo ele, os 13 municípios da entidade demonstraram interesse em migrar para a plataforma desenvolvida em Blumenau, substituindo sistemas atualmente contratados junto à iniciativa privada.
Caso a proposta avance, a região poderá se tornar a primeira de Santa Catarina a operar de forma integrada em um único sistema de gestão da saúde pública.
Vereadores cobram melhorias
Apesar das explicações da Secretaria de Saúde, vereadores relataram que continuam recebendo reclamações relacionadas ao uso da plataforma.
O vice-presidente da comissão, vereador Professor Gilson de Souza, afirmou que muitos profissionais relatam dificuldades operacionais e falta de treinamento adequado.
Também foram levantados questionamentos sobre a capacidade técnica da equipe responsável por manter e desenvolver o sistema diante da ampliação prevista.
Especialista reconhece avanços, mas aponta desafios
Participando da reunião, o médico geriatra e sanitarista Mário Kato destacou que Blumenau foi pioneira ao criar um sistema integrado de gestão da saúde.
Ele defendeu que a experiência local pode contribuir para a construção de um futuro prontuário eletrônico nacional do Sistema Único de Saúde (SUS).
Ao mesmo tempo, alertou para a necessidade de corrigir problemas operacionais apontados por profissionais e usuários.
Segundo Kato, as dificuldades relatadas em conferências de saúde e no atendimento diário precisam ser consideradas para o aprimoramento da ferramenta.
Comissão vai aprofundar análise
Ao final do encontro, o presidente da comissão, vereador Bruno Win (NOVO), classificou a reunião como produtiva, mas ressaltou que ainda existem dúvidas sobre a efetividade do sistema para a população.
Ele citou relatos de moradores que afirmam ter sido orientados a utilizar o aplicativo mesmo quando procuraram atendimento presencial nas unidades de saúde — situação que, segundo o secretário, não corresponde à orientação oficial da Secretaria Municipal de Saúde.
A comissão deverá promover novas reuniões para aprofundar a análise técnica da plataforma e avaliar se o investimento previsto apresenta resultados compatíveis com os recursos públicos empregados.
O objetivo é verificar a eficiência do Sistema Pronto, seus impactos para a população e a viabilidade de alternativas existentes no mercado e em soluções disponibilizadas pelo governo federal.
